O Espelho do Tempo - Epílogo
Não demorou muito para os repórteres darem uma notícia sobre o portal do tempo. Hugo e Yago que estavam em um bar, ouviram pelo rádio a notícia:
— Homem misterioso é flagrado saindo do portal.
Hugo diz:
— Homem misterioso? Portal? Peraí! Pode ser gente da nossa época!
Ele cutuca Yago que está bêbado de tanto beber chop no bar.
— Yago!
— Me deixa em paz!
Entra no bar um homem apavorado, ele diz:
— Vocês estão sabendo?!
Barman:
— Sabendo do quê?!
— Do alienígena que apareceu no beco! Naquele beco que some e volta as pessoas!
Barman:
— Ficamos sabendo! Mas no rádio tão falando que é só um homem e não um alienígena!
— O alienígena parece um homem, só as roupas que são diferentes!
Hugo:
— Alienígena?! Essa história me parece familiar, um carro explodiu no meu uni... quer dizer na minha cidade.
Hugo pensa:
— Será que tem alguma relação?
Barman:
— Mas o que isso tem haver?!
— Diziam que era um alienígena, porque esse homem estava intacto depois da explosão.
Hugo conversa com o homem que entrou no bar:
— Você pode nos levar até lá?!
— Estão curiosos né?! É claro que eu levo vocês até lá! Quem quiser vir comigo cabe um monte de gente na minha caminhoneira!
— Ótimo! Vamos Yago!
— Pra onde?!
— De volta pra casa.
— Quero ficar mais um pouco!
— Você tá louco?!
— Não, estou bêbado! Mas a alucinação não passa!
— Deixa seu amigo ai! Depois você volta!
— Temos que ir agora! Nossos pais devem estar preocupados e pode ser que a alucinação pare!
— Vai você!
Yago desmaia. O caminhoneiro oferece ajuda:
— Deixa eu te ajudar a carregar ele! Pais é coisa séria. Vocês não avisaram seus pais que vocês vinham para um bar? Não avisar os pais para onde vão é uma falta de respeito! Mesmos vocês sendo jovens adultos.
Hugo mente:
— Não deu tempo, eles não estavam em casa.
O homem e Hugo, pegam os braços de Yago e o colocam sobre o ombro e arrastam até a porta. O dono do bar grita:
— Espera! Não vão pagar a conta?!
— Estamos sem dinheiro!
Hugo mente mais uma vez:
— Mas depois eu volto pra pagar!
— Não! Eu não aceito fiado! Você não leu?!
Em cima da mesa do bar tinha uma placa escrito: “Não aceitamos fiado!”. O caminhoneiro gentilmente paga a conta:
— Eu pago! Quanto é?
— 5 cruzeiros.
O homem tira do bolso a cédula de dinheiro. Além de Hugo e Yago mais 7 pessoas foram juntas para ver o misterioso homem e seu veículo. Eles imediatamente reconhecem o local, era onde estava o portal que os trouxe até ali e uma viatura policial isolando a área:
— Ninguém se aproxima desse local!
— O que vamos fazer Yago?!
Os policiais se distraem com a multidão que começou a se formar, Hugo vê uma brecha e arrastando Yago, eles entram no portal.
Como era de se esperar, só haviam se passado alguns segundos até a volta deles ao futuro, em 2005. Já em 1944, se passou quase um dia inteiro.
Hugo:
— Parece que estamos de volta. Graças a Deus que ninguém desmaiou dessa vez.
Dr. Félix:
— Vocês de novo! Bom, eu já estou quase me acostumando com isso.
— Na verdade demorou um dia inteiro! Agora me explica direitinho o que é essa coisa!
Yago enjoado vomita. Dr. Félix faz uma cara de nojo com o vômito de Yago.
— Me ajuda aqui!
— O que houve?!
—Estou algemado! Os policiais do passado me prenderam!
— Pelo jeito esse aqui passou mal com a viagem.
Hugo:
— Não! Ele só está bêbado. E você não está algemado, Yago!
Dr. Félix:
— Leve ele até o banheiro, fica no andar de cima.
Hugo leva Yago para tomar um banho de água gelada pra ver se passa a bebedeira. Dr. Félix pensa:
— Não vejo a hora fechar esse portal...
— Eu deixei Yago dormindo em um quarto lá perto. Tudo bem?
Dr. Félix:
— Sem problemas.
Hugo pega Dr. Félix pelo pescoço e diz:
— Eu quero uma explicação agora! Eu sou faixa verde em Karatê, e faixa Amarela no Judo! Quer que eu te dê uma surra?!
— Calma Jovem!
Hugo coloca Dr. Félix de volta em pé no chão, e ele explica:
— Você lembra daquele dia que houve uma estranha explosão aqui na nossa cidade?
— Sim, me lembro muito bem. O tal alienígena era a minha cara! Algumas pessoas chegavam a me confundir na rua.
— Esse tal "alienígena" que tanto falaram era na verdade um viajante do tempo, era você do futuro que morreu naquela explosão!
— Que brincadeira é essa?!
— Eu não estou brincando. Meu amigo Isaac é que entende mais do assunto, ele diz que na verdade são outros universos parecidos com o nosso.
— Então aquele homem parecido comigo, era eu mesmo?! Aonde está o seu amigo?!
— Foi fazer a mesma viagem que vocês fizeram mas para o futuro, ele está obcecado em tentar corrigir o erro dele.
— Tudo parece até fazer sentido agora, o carro da minha mãe, ele deve ter trazido do futuro né?! Ou vocês roubaram dela?!
— Pelo amor de Deus, não! Esse estresse todo é pela viagem?! Eu não tenho culpa se esse portal se abriu no meu quintal! Em um dia de tempestade caiu um raio no meu quintal, eu tomei um susto, fui lá fora ver o que era, abriu esse buraco no vazio e raios continuavam saindo dele, foi quando apareceu uma aparição....
— Dos nazistas malucos?
— Não, a primeira vez era um semblante de uma mulher, pensei estar vendo uma assombração! Fechei a porta e corri pro meu quarto, no dia seguinte, não tinha mais ninguém lá, só esse portal, mas eu continuei recebendo visita de seres que agora acredito serem do passado e do futuro. Não precisava você ser agressivo comigo!
— Peço perdão por isso mas é que você parecia tão envolvido com os nazistas e essa viagem maluca. Além do mais, você vendeu um antídoto para o meu oficial me receitar, ele me enganou, falou que era remédio para ganhar peso! Vai ver nem médico ele era.
— Eu fui obrigado a fazer esse antídoto! Aqueles seres me obrigaram. Pensei que aqueles nazistas fossem seus amigos.
— Eu tenho cara de nazista?
— Não, mas está de uniforme militar.
— Uniforme militar mas não é de nazista.
— O nervosismo não me deixou atentar à esse detalhe.
Yago sai do banho.
Hugo:
— Você está bem?
— Claro que estou! Eu sabia que a bebedeira acabaria com a alucinação.
— É o que eu quero acreditar a partir de agora, que tudo não passou de uma alucinação. Vamos embora!
Hugo pega pela camisa Dr. Félix e fala baixinho no ouvido dele:
— Eu não quero que nenhum ser do passado ou do futuro venha me sequestrar mais! Você tá entendendo?! Passado ou futuro!
Yago:
— Passado?! Futuro?! Que maluquice é essa que você tá falando?!
— É sobre as viagens alucinógenas Yago, que faz a gente pensar que viajou no tempo.
Hugo e Yago saem do laboratório, Dr. Félix diz:
— Preciso ir embora imediatamente daqui! Não aguento mais as visitas desses seres, eles vão acabar me matando! Mas pra onde eu vou? Esses seres são agressivos e perigosos, um dia eles ainda vão causar uma tragédia e eu vou ser o culpado!
Dr. Félix olha um cartão de crédito que Dr. Isaac deixou em cima da mesa e diz:
— Preciso de umas economias pra sobreviver em outro país, bem longe do Brasil. Longe também desse portal maldito! Vou viajar até a Suíça, lá eles se interessam mais por esses assuntos de ciência e apesar de eu ter dinheiro pra sobreviver lá eu não sei por quanto tempo meu dinheiro sobreviverá por lá.