O Espelho do Tempo - Epílogo
Na semana seguinte, Hugo volta a visitar Leila novamente . Mel está aflita esperando ele na porta de entrada. Ela diz:
— Não vai me dizer que você já estava visitando aquela mulher!
— Eu não te avisei que ia resolver um problema?
— Pensei que você ia resolver sozinho mas imagino que não. Ultimamente você anda muito estranho Hugo. Mas não vou discutir com você, eu estou grávida não posso ter preocupação e nós estamos com visita.
— Visita? Quem?
— Uma mulher meio esquisita, acho que ela é maluca, ela disse que é sua mãe Hugo!
— Minha mãe?! Que brincadeira sem graça é essa?! E por quê você deixou ela entrar?!
— Ela sabia detalhes da sua vida que só eu e você sabíamos e ela falou daquele portal do doutor! Pensei que isso fosse importante pra você!
— Aquele maldito portal o doutor já fechou e morreu por causa dele! Não estou entendendo. Ok! Vou ver o que ela quer.
Mel recebe a visita de uma mulher misteriosa querendo falar com o seu marido, ela diz ser mãe dele e o espera na sala, ela é uma mulher morena, de cabelos lisos, olhos escuros, estatura média e porte atlético, aparenta ter uns 50 anos.
Os filhos de Hugo estavam no momento na escola. Hugo vai até lá conversar. Maria se apresenta para Hugo e Mel, mas Mel fica desconfiada da aparência estranha e da história da mulher. Hugo, por sua vez, fica intrigado com a possibilidade de ter uma mãe que nunca conheceu.
— Eu entendo que possa parecer estranho, mas eu sou realmente a mãe de Moisés. E quando vi você, Hugo, senti como se tivesse visto meu filho novamente. Eu preciso encontrar Moisés, você pode me ajudar?
Hugo se sente tocado pela história de Maria e promete ajudá-la a encontrar seu filho.
— Você veio de algum universo paralelo? De algum portal?
— Como assim?!
— Universos paralelos são como espelhos um dos outros, por isso aparentemente um é igual ao outro mas só aparentemente, as pessoas podem agir de forma diferente nele, entendeu? Um espelho do tempo.
— Não entendo nada disso, ele só disse que talvez eu encontrasse meu filho atravessando aquela porta!
— Ele está desaparecido? Você veio do passado para procurar seu filho, e alguém a convenceu a atravessar um portal para se comunicar com ele?
Maria confirma e acrescenta:
— Eles me disseram que eu poderia encontrar meu filho em outra dimensão, mas eu não sabia que era um universo paralelo. Eu só queria vê-lo novamente, ele desapareceu há muito tempo.
Mel, que ouvia a conversa, fica confusa e pergunta:
— Mas como assim, universos paralelos? Isso é possível?
Hugo tenta explicar:
— Teoricamente, sim. Na física quântica, existem teorias que sugerem a existência de múltiplos universos paralelos, cada um com uma realidade diferente. Mas é só uma teoria, ainda não há comprovação científica.
Maria olha em volta, ainda sem entender direito onde está, e pergunta:
— E como eu posso encontrar meu filho agora?
Hugo pensa por um momento e responde:
— Acho que precisamos descobrir mais sobre esse portal. O portal que existia aqui foi destruído a alguns anos atrás. Talvez existam informações que nos ajudem a encontrar seu filho. Eu posso ajudar a procurá-lo, mas precisamos entender melhor essa situação.
— Ele era só um pouco parecido com você mas a esposa dele, é a mesma!
— Você disse que a esposa dele era a mesma?!
— Sim, praticamente uma cópia.
— O Dr. Félix não resolveu usá-lo como cobaia para um de seus experimentos?
— Cobaia?
— Sim, ele foi um dos responsáveis a criar um antídoto que aumentava a força e a resistência física. Foi usado em soldados para a guerra e em mim.
Maria fica chocada com a informação e começa a entender porque seu filho desapareceu. Ela conta que Moisés era um soldado e que acabou ficando viciado em drogas. Ela queria tentar salvá-lo, mas nunca conseguiu encontrá-lo. Hugo se oferece para ajudá-la a procurar seu filho, mas Mel fica preocupada com a ideia de Hugo se envolver em mais uma situação perigosa.
— Ainda bem que meu filho nunca tomou nada desse tipo.
— Como você conheceu esse Dr. Félix?
Maria: Conheci em uma de minhas viagens no tempo. Ele me ajudou a consertar meu dispositivo de viagem. Mas ele parecia obcecado com o poder que poderia obter através de suas experiências. Eu o alertei sobre os perigos, mas ele não quis me ouvir.
Hugo: Então, você acha que ele pode ter feito algo com o seu filho?
Maria: É uma possibilidade. Eu não tenho certeza, mas é bom ficar atento
— Desculpa te falar isso mas esse Dr. Félix nunca foi flor que se cheire, ele sempre inventou mentiras e essa é uma delas, esse portal apenas, como eu já lhe falei, cria uma passagem para outro universo. Só uma coisa que não consigo entender? Você nem se parece com a minha mãe e tão pouco ela se chamava Maria.
Maria fica perplexa com a afirmação de Hugo e começa a se questionar sobre sua própria identidade.
— Como assim? Eu sou a sua mãe, mas confesso que tenho um pouco de dúvidas quanto a isso. Talvez você não se lembre de mim, mas eu te conheço desde que nasceu.
— Não, minha mãe se chama Isadora e ela ainda está viva. E você não se parece nada com ela. Quem é você realmente?
Maria começa a se sentir desesperada, pois nunca havia passado por uma situação assim em suas viagens no tempo. Ela tenta explicar a Hugo que as coisas podem ser diferentes em universos paralelos e que talvez em algum deles ela seja sua mãe, mas ele não acredita.
— Maria, seja lá quem você for, eu preciso que você vá embora. Eu tenho uma vida aqui e não quero me envolver mais com problemas desse tipo. Eu perdi um amigo por isso!
Maria tenta argumentar mais um pouco, mas Hugo não cede e pede que ela saia de sua casa. Ela fica triste e desapontada, mas compreende que não pode forçar a situação.
— Tudo bem, Hugo. Eu entendo. Mas antes de ir, eu gostaria de lhe dar isso.
Ela tira um pequeno objeto do bolso e entrega a Hugo. É um medalhão com uma inscrição estranha que ele nunca havia visto antes.
— O que é isso?
— É um amuleto de proteção. Guarde-o com você, pode ser útil em momentos difíceis.
Maria se despede e sai da casa de Hugo, deixando-o com muitas perguntas sem respostas. Ele guarda o medalhão no bolso e tenta retomar a sua vida normal, mas não consegue deixar de se perguntar quem era aquela mulher e de onde ela havia vindo.
Mel da cozinha ouvia toda a conversa e chama a atenção do marido:
Mel: Hugo, o que está acontecendo aqui? Quem era essa mulher?
Hugo: Ela diz que é minha mãe, mas não parece ter vindo do nosso universo.
Mel: Como assim? Isso é loucura!
Hugo: Não sei, isso tudo é muito estranho. Mas precisamos resolver isso logo. Vou atrás dela e convidar pra ficar aqui em casa.
Mel: Como assim, Hugo? Você não pode simplesmente trazer uma estranha para a nossa casa sem mais nem menos!
Hugo: Eu sei, eu sei. Mas ela alega ser minha mãe e precisamos ajudá-la.
Mel: Sua mãe é a Isadora! Você sabe disso desde que nasceu!
Hugo: Eu sei, Mel. Eu sei. Mas você pode me ajudar a descobrir o que está acontecendo. Juntos podemos entender melhor essa situação e ajudar Maria a encontrar seu filho.
Mel: Tudo bem. Vamos fazer isso. Mas eu preciso saber mais sobre essa história toda. E como vamos ajudar Maria a encontrar Moisés?
Hugo passou dias procurando Maria, mas ela parecia ter desaparecido completamente. Ele vasculhou a cidade inteira, perguntou para pessoas que poderiam tê-la visto, as que moravam perto do laboratório abandonado de doutor Félix, pesquisou na internet, mas nada. Frustrado, ele começou a se perguntar se ela realmente existiu ou se tudo não passou de uma ilusão causada pela viagem no tempo, mas Mel também a viu. Ele se sentia perdido, sem saber o que fazer ou como encontrar respostas para todas as perguntas que surgiram com a aparição repentina de Maria em sua vida.
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